31/03/2021 – O Município – Pandemia da Covid-19 causa queda de 32% do número de casamentos em Brusque

Redução afetou negativamente empresas do setor de eventos no município

Em 2020, Brusque registrou uma queda de 32% do número de casamentos oficializados, segundo dados do Portal da Transparência do Registro Civil. Foram registrados 547 processos, sendo que em 2019 o registro foi de 805.

De acordo com a presidente da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais de Santa Catarina​ (Arpen-SC), Liane Alves Rodrigues, o principal motivo da queda foi a pandemia da Covid-19. “Reduziu os casamentos pois os noivos querem fazer uma cerimônia com a família e amigos. Querem comemorar. Organizar com antecedência”, afirma.

Durante o ano, os cartórios no estado se adaptaram ao coronavírus em adicionar os serviços de forma on-line. Contudo, Liane ressalta que o casamento representa muito mais do que o registro civil.

“É um evento que marca uma família. Com a pandemia, com o afastamento social, um casamento civil on-line não tem o mesmo efeito. Então, só casou quem precisava do documento, mas não supre o casamento presencial”, continua.

Neste caso, o registro feito on-line foi a alternativa para as pessoas que realmente precisavam da documentação, necessária para processos de cidadania, viagens. Ou seja, para os casais que precisaram regularizar a situação patrimonial.

Queda afeta setor de eventos em Brusque

Com a queda do número de casamentos, empresas do setor de eventos encontraram um grande desafio para manter as portas abertas. Segundo a sócia proprietária do Sítio Vó Cecília, Ana Paula Luchini Stipp Disner, a empresa não realizou nenhum casamento desde o início da pandemia. “Trabalhamos com trocas de data. Em 2020, a agenda foi totalmente adiada, tínhamos casamentos agendados em todos os sábado, que foram adiados para 2021”, conta.

Entretanto, a pandemia não deu trégua e os eventos estão sendo adiados novamente. Ana conta que têm noivos que já adiaram a festa por três vezes.

Ela também destaca que a empresa não teve nenhum cancelamento, pois trabalha com pacotes. Estes contemplam a locação do espaço, buffet, fotografia e gravações, vestido de noiva, comida e os convites.

Assim, toda a mão de obra e os parceiros do Sítio Vó Cecília trabalham para o espaço. O que facilita o adiamento das datas e traz segurança aos noivos. “Devido a essa segurança que pessoas continuam nos procurando. Mesmo com a pandemia, fizemos reservas para 2022. A agenda para o ano que vem está aberta”, diz.

Ana detalha que são 25 famílias que dependem do espaço e não foi necessário demitir ninguém ao longo do ano, além dos contatos com os freelancers serem mantidos. Mas afirma que a empresa não realizará nenhum casamento até que a situação da Covid-19 fique segura.

“É algo tão especial na vida de um casal, não é o ideal fazer um evento em um momento desses. Sem beijos, sem abraços. É difícil para a gente, tínhamos esperança que esse ano pudéssemos continuar. Mas esperamos que a vacinação continue, que pelo menos neste ano ocorra algo”, completa.

Expectativa de reação do mercado

Rodrigo Schmitt, um dos administradores do restaurante Schmitt Buffet e Eventos, conta que, desde março de 2020, com os afrouxamentos de decretos, a empresa trabalhou em apenas cinco casamentos. Portanto, a empresa registrou uma redução de mais de 90% dos trabalhos.

“Estamos seguindo bem a risca os decretos. É uma realidade de todo o setor. É uma crise sem precedentes. A gente espera que com a chegada das vacinas consigamos fazer eventos de pequeno porte. Com segurança, é logico, para que o mercado dê uma reagida”, conta.

“Está complicado, a gente tem que ser otimista, mas temos uma série de datas. Acredito que por junho o mercado comece a andar, mas isso é apenas achismo”, diz. “Todo mundo está vivendo a pandemia, mas o setor de eventos foi o mais afetado”, completa, ainda que otimista com a chegada das vacinas.

No limite

Para Isair Fischer, da Fischer Eventos de Guabiruba, a situação é muito complicada. A empresa foi fortemente afetada pela pandemia e o último casamento foi realizado em 14 de março de 2020. “Tudo fechado, tem o salão fechado, sem ajuda de nada”, conta.

Fischer detalha que para passar pela crise, a empresa está vendendo materiais, como mesas. “Mas chegamos do limite do limite. Um ano só investindo e gastando”, diz. “São cinco funcionários, mais o salão de eventos e decorações, mais a loja. Não tem auxílio, não tem ajuda de ninguém”, continua.

Além de casamentos, a empresa também trabalha com aniversários, comunhões, festas de empresas, dentre outros eventos. Fischer conta que se não tivessem as reservas, a empresa já teria fechado. “Tudo empacou, completamente. Caso as coisas não melhorarem, temos mais três meses”, diz.

Fonte: O Município