19/03/2021 – Gazeta do Povo – Em fevereiro, cartórios do Paraná registraram 2 mil mortes a mais do que a média histórica

Ao longo dos 12 primeiros meses da pandemia de coronavírus, o Paraná registrou 14.500 mortes a mais do que a média histórica para o estado. Os dados, do Portal da Transparência do Registro Civil, apontam que no período de março de 2020 a fevereiro de 2021, 81.533 vidas se foram, 8,97% a mais do que no mesmo período de 2019 a 2020.

Entre os 12 meses, fevereiro de 2021 é o que apresenta números mais expressivos. O estado teve um total de 6.900 óbitos registrados pelos cartórios no mês, 2.026 óbitos a mais do que a média para o período. Levando em conta somente Curitiba, o crescimento de mortes na comparação entre fevereiro de 2020 – antes da pandemia chegar ao estado – e o mesmo mês de 2021 é de 49,1%, com 1.271 óbitos a mais.

Embora o Portal da Transparência não separe os dados pela causa da morte, quem trabalha com o registro diariamente sente “as ondas” da doença. “A gente sente os efeitos das medidas mais ou menos restritivas cerca de 15 dias depois. Nos períodos em que as pessoas estão mais ‘liberadas’, duas semanas depois aumentam os óbitos”, afirma a presidente do Instituto de Registro Civil das Pessoas Naturais do Estado do Paraná (Irpen-PR), Elizabete Vedovatto.

O aumento de óbitos no estado, de quase 9%, é muito superior ao aumento anual esperado, que costuma girar em torno de 1,5% desde o início da série, em 2003. Esse crescimento se deve em grande parte ao coronavírus: segundo o boletim da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), até 28 de fevereiro o estado havia registrado 11.500 óbitos pela Covid-19, o que representaria 79% do total de mortes a mais registradas pelos cartórios. No entanto, os dados do boletim são atualizados “retroativamente” com certa frequência, o que leva a crer que o número real de mortes na época era um pouco maior do que o contabilizado até então pelas autoridades de saúde.

“Não teríamos esse tanto de mortes se não fosse a pandemia, isso é seguro de afirmar. Não apenas pela doença em si, mas por todo o cenário de incerteza e desesperança. Temos percebido também mais casos de pessoas que tiraram a própria vida”, afirma a presidente do Irpen-PR.

Ainda segundo o Irpen, o número de óbitos registrados nos meses de 2021 ainda pode aumentar, assim como a variação da média anual e do período, uma vez que os prazos para registros chegam a prever um intervalo de até 15 dias entre o falecimento e o lançamento do registro no Portal da Transparência.

Fonte: Gazeta do Povo

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