16/04/2021 – CBN Curitiba – Mortes por Covid-19 em março representam 52% dos óbitos por doenças no Paraná

A Covid-19 matou 5.888 paranaenses no mês de março segundo dados dos Cartórios de Registro Civil, que também registraram a menor variação entre nascimentos versus óbitos na história.

A doença causada pelo novo coronavírus representou 52% do total, 11.177, de mortes por causas naturais (por doenças) no Estado no mês passado.

Os dados constam no Portal da Transparência do Registro Civil (https://transparencia.registrocivil.org.br/inicio), base de dados abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e mortes praticados pelos Cartórios de Registro Civil do País, administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), cruzados com os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados dos próprios cartórios brasileiros.

O número de mortes por Covid-19, que no auge da 1ª onda, em julho de 2020, chegou a representar 21,6% dos óbitos por causas naturais no Estado, já havia dado sinais de que estava voltando a crescer em dezembro, representando 31,2% das mortes por doenças, mantendo números altos em janeiro (28%) e fevereiro (28,7%), segundo os dados.  Ao atingir 52,5% das mortes por doenças no Paraná, a Covid-19 multiplica por cinco seu impacto no total dos óbitos naturais em relação a fevereiro passado, até então o mês mais mortal, aponta o levantamento.

“É pelo Portal da Transparência que temos as informações mais fidedignas da real situação que reflete a pandemia. Através das informações que os cartórios repassam diariamente temos como mensurar a gravidade deste momento. Os dados refletem a importância de se ter conscientização para passarmos por isso”, destaca Elizabete Regina Vedovatto presidente do Instituto do Registro Civil das Pessoas Naturais do Estado do Paraná (Irpen/PR).

Mortes x Nascimentos

Outro número impactante da pandemia no Paraná se refere à comparação entre os números de nascimentos e mortes registrados nos Cartórios de Registro Civil. A diferença entre eles, que sempre esteve em média na casa dos 7.185 – em média, nascem 7.185 crianças a mais do que a quantidade de óbitos registrados ao mês – caiu drasticamente, com “apenas” 1.217 nascimentos, chegando a uma redução de 6.598 em relação à média histórica, e à metade dos cerca de 5.862 registrados nos meses desde o início da pandemia.

A queda abrupta acontece mesmo em meio a uma “reação” das gestações no mês de março, que registrou um total de 12.957 nascimentos, 83,8% a mais do que fevereiro. No entanto, o vertiginoso aumento no número total de óbitos, em março, impediu que o Estado avançasse na equação nascimentos versus óbitos, que vem caindo desde o agravamento da pandemia em janeiro deste ano, pontua.

No Brasil, a diferença entre nascimentos e óbitos, que sempre esteve em média na casa dos 137 mil – em média, nascem 137 mil crianças a mais do que a quantidade de óbitos registrados ao mês – caiu drasticamente a “apenas” 48.086 mil nascimentos, chegando a uma redução de 90 mil em relação à média histórica, e à metade dos cerca de 90 mil registrados nos meses desde o início da pandemia.

O número de óbitos registrados no mês de março de 2021 ainda pode vir a aumentar, assim como o número de nascimentos e a variação das médias e da comparação entre nascimentos e óbitos para o período, uma vez que os prazos para registros chegam a prever um intervalo de até 15 dias entre o falecimento e o lançamento do registro no Portal da Transparência. Além disso, alguns estados brasileiros expandiram o prazo legal para comunicação de registros em razão da situação de emergência causada pela COVID-19. Os nascimentos também possuem prazo legal a ser observado, tendo os pais até 15 dias para registrar o recém-nascido em cartório.

Fonte: CBN Curitiba